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Varizes podem causar trombose? Entenda os riscos

Varizes podem causar trombose? Entenda os riscos

25 de set.
5 min de leitura

Pernas com veias dilatadas, dor ou inchaço costumam gerar uma preocupação legítima: varizes podem causar trombose? A resposta exige cuidado. As varizes estão associadas a um risco maior de alterações na coagulação e de trombose venosa, mas isso não significa que toda pessoa com varizes desenvolverá uma trombose. Entender a diferença entre os quadros e reconhecer os sinais que merecem avaliação ajuda a agir com segurança, sem alarmismo.

Qual é a relação entre varizes e trombose?

As varizes são veias superficiais dilatadas e tortuosas, geralmente decorrentes de uma dificuldade no retorno do sangue das pernas ao coração. Dentro das veias existem válvulas que funcionam como pequenas portas, orientando o sangue contra a gravidade. Quando essas válvulas não funcionam adequadamente, parte do sangue reflui e permanece acumulada nas pernas, elevando a pressão dentro das veias.

Com o passar do tempo, essa pressão pode favorecer sintomas como sensação de peso, cansaço, dor, queimação, coceira, inchaço ao final do dia e mudanças na pele. Em algumas situações, o fluxo mais lento nas veias doentes pode contribuir para a formação de coágulos. Por isso, varizes são consideradas um fator que pode aumentar o risco de eventos trombóticos, especialmente quando existem outros fatores associados.

No entanto, a trombose não acontece por um único motivo. Ela costuma resultar da combinação entre alteração do fluxo sanguíneo, predisposição individual e situações que aumentam a coagulação. Imobilização prolongada, cirurgias recentes, gravidez e pós-parto, uso de hormônios, câncer, tabagismo, obesidade, idade e histórico pessoal ou familiar de trombose são alguns exemplos que precisam ser considerados em uma avaliação médica.

Tromboflebite superficial e trombose venosa profunda não são a mesma coisa

Essa distinção é essencial. Pessoas com varizes podem desenvolver tromboflebite superficial, também chamada de trombose venosa superficial. Nesse quadro, forma-se um coágulo em uma veia próxima à pele, frequentemente em uma veia varicosa.

É comum perceber dor localizada, vermelhidão, calor e endurecimento em forma de cordão ao longo da veia. Embora muitas vezes tenha evolução favorável, a tromboflebite superficial precisa de avaliação. Dependendo da extensão, da localização e da proximidade com veias profundas, pode haver risco de progressão e necessidade de tratamento específico.

Já a trombose venosa profunda ocorre nas veias mais profundas da perna, da coxa ou da pelve. Ela merece atenção porque parte do coágulo pode se deslocar até o pulmão e causar embolia pulmonar, uma condição potencialmente grave. Varizes não são a causa única da trombose venosa profunda, mas podem fazer parte do contexto de risco de alguns pacientes.

Quais sinais exigem avaliação médica rápida?

Nem toda dor na perna representa trombose. Câimbras, sobrecarga muscular, problemas articulares, alterações neurológicas e a própria insuficiência venosa podem causar desconfortos parecidos. Ainda assim, alguns sintomas não devem ser ignorados, especialmente se surgirem de forma nova ou piorarem rapidamente.

Procure avaliação médica com prioridade diante de inchaço súbito em uma perna, dor persistente em panturrilha ou coxa, aumento de temperatura local, vermelhidão importante ou endurecimento doloroso sobre uma veia. A diferença de volume entre as pernas também merece atenção.

Falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue, palpitações, tontura ou desmaio exigem atendimento de urgência. Esses sintomas podem ter diversas causas, mas precisam ser investigados sem demora por poderem estar relacionados a uma embolia pulmonar.

É melhor não tentar concluir o diagnóstico apenas observando os sintomas ou procurando imagens na internet. Trombose e tromboflebite podem se apresentar de maneiras diferentes, e a avaliação clínica é decisiva para definir a conduta adequada.

Como é feito o diagnóstico?

A consulta vascular começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, o histórico de saúde, medicações em uso, gestações, cirurgias, episódios prévios de trombose e antecedentes familiares. Em seguida, é realizado o exame das pernas, observando veias aparentes, inchaço, alterações na pele e pontos de dor.

Quando há suspeita de trombose ou necessidade de entender melhor a doença venosa, o ultrassom com Doppler é um dos principais exames. Ele permite visualizar as veias, avaliar o sentido do fluxo sanguíneo, verificar a presença de coágulos e identificar quais segmentos venosos apresentam refluxo.

Esse exame é diferente de uma avaliação baseada apenas na aparência das varizes. Duas pessoas podem ter veias visualmente semelhantes e necessidades completamente distintas. Uma pode precisar apenas de acompanhamento e medidas clínicas; outra pode se beneficiar de tratar veias com refluxo que estão contribuindo para sintomas ou complicações.

Ter varizes significa que é preciso tratá-las para evitar trombose?

Não necessariamente. A indicação de tratamento depende de uma avaliação individual, que considera sintomas, achados no Doppler, extensão da doença venosa, riscos associados, impacto na rotina e histórico de complicações. O objetivo não é tratar todas as veias visíveis, e sim cuidar das veias que realmente têm relevância clínica ou estética dentro de um planejamento seguro.

Em casos selecionados, o tratamento das varizes pode reduzir sintomas, melhorar a circulação superficial e prevenir a progressão de problemas relacionados à insuficiência venosa, como edema persistente, alterações de pele, flebites recorrentes e úlceras. Mas não existe um procedimento único adequado para todas as pessoas.

As opções podem incluir meias de compressão quando indicadas, mudanças de hábitos, procedimentos para veias maiores e tratamentos específicos para vasinhos. Técnicas como ablação térmica, cirurgia, escleroterapia com espuma ou outras abordagens devem ser escolhidas de acordo com o mapeamento venoso e a situação clínica de cada paciente.

Também é relevante lembrar que, em uma trombose ativa, a prioridade não é o tratamento estético das varizes. Primeiro, é necessário estabilizar e conduzir o evento trombótico conforme sua gravidade e localização. Depois, no momento apropriado, a saúde venosa pode ser reavaliada com tranquilidade.

O que ajuda a reduzir os riscos no dia a dia?

Não é possível eliminar todos os fatores de risco, sobretudo os genéticos ou relacionados ao histórico de saúde. Ainda assim, algumas medidas contribuem para uma circulação mais saudável. Manter-se em movimento é uma delas. Em viagens longas ou períodos extensos sentado, levantar-se em intervalos regulares, movimentar tornozelos e panturrilhas e evitar ficar imóvel por muitas horas pode ser útil.

Atividade física orientada, controle do peso quando necessário, hidratação adequada e acompanhamento de doenças crônicas também fazem parte do cuidado. Para pessoas que já tiveram trombose, usam hormônios, estão grávidas, passaram por cirurgia recente ou têm outros fatores de risco relevantes, as orientações podem ser diferentes e devem ser individualizadas.

As meias de compressão podem aliviar sintomas em alguns casos, mas o modelo e o grau de compressão não devem ser definidos apenas por conta própria. Há situações em que é preciso avaliar a circulação arterial e venosa antes de recomendá-las.

Quando marcar uma consulta vascular?

Uma consulta é indicada quando as varizes vêm acompanhadas de peso, dor, inchaço, cansaço frequente, coceira, escurecimento da pele, feridas, episódios de veia endurecida e dolorosa ou preocupação com a evolução do quadro. Também é adequada para quem deseja tratar vasinhos ou varizes por incômodo estético, desde que essa decisão seja precedida por avaliação da saúde venosa.

Para pacientes em Curitiba e região, uma avaliação com cirurgiã vascular permite esclarecer se há refluxo venoso, se existe risco adicional de trombose e qual estratégia faz sentido para o seu caso. O cuidado responsável começa por compreender o que as suas pernas estão sinalizando, para que qualquer decisão seja feita com segurança e expectativas realistas.

 
 
 

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